Um salve à luta e resistência das mulheres negras

Um salve à luta e resistência das mulheres negras

Por Thais Zimbwe

As mulheres negras podem ser o que quiser! Está é uma máxima que deve imperar na construção de oportunidades e no combate às imposições estruturais que assolam a sociedade.

Hoje e em todos os dias, vamos saudar a força das nossas líderes, mães, mulheres e meninas negras. Oportunizar e enaltecer! Este texto é dirigido em homenagem à Valneide Nascimento dos Santos, secretária nacional da Negritude Socialista Brasileira do PSB, e à todas as mulheres negras que compõem nossa articulação política e estão à postos na sociedade lutando por mais espaço e acesso a direitos.

O racismo estrutural da sociedade brasileira, que empurra a população negra para uma situação de vulnerabilidade e, mais ainda, as mulheres negras, não é uma novidade. Tudo isso é resultado de um processo histórico que vem sendo combatido com muita luta e resistência ao longo dos séculos, não só no Brasil, mas também na América Latina e Caribe, países que também receberam africanos escravizados e que tiveram um impacto profundo na formação cultural e racial dos países.

As mulheres negras correspondem a aproximadamente 28% da população brasileira, em um cenário que mais da metade dos brasileiros são negros e negras. Essa maioria, no entanto, está excluída da maior parte dos processos formais de acesso a direitos civis e sociais, sem acesso a políticas públicas essenciais e, portanto, é a que mais sofre com a pobreza: entre os mais pobres, três em cada quatro são pessoas negras. 

No dia em que se celebra a vida de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas e a líder negra Tereza de Benguela, reforçamos o compromisso com a transversalidade e incorporação das dimensões de gênero e raça no estabelecimento de ações, programas e políticas públicas. Ações afirmativas precisam sair do ideário, do papel e virar prática, de fato, em nossa sociedade.

No país, as mulheres negras são 55,6 milhões. Na composição da Câmara Federal, entretanto, em 2018 foram eleitas 13 parlamentares negras de um total de 513 vagas.Quando olhamos para o cenário da participação político-partidária, percebemos a subrepresentatividade feminina. Por exemplo, em 2016, apenas 0,5% dos eleitos para prefeituras e câmaras de todo país eram mulheres negras — sendo que elas correspondem a 28% da população brasileira.

As mulheres negras sofrem mais homicídio, abusos, violações, violência obstétrica. De acordo com o Mapa da Violência 2016, os homicídios de mulheres negras aumentaram 54% em dez anos no Brasil.Além disso, as negras continuam compondo a base da desigualdade de renda, em 2018 elas recebiam em média menos da metade do salário de homens brancos (44,4%) que ocupam o topo da pirâmide salarial no Brasil.


Um salve às mulheres negras brasileiras. À toda sua luta histórica. Às mudanças, transformações, avanços e desafios. Seguimos em luta e estamos de parabéns!

*Thais Zimbwe é jornalista, Iyalorixá e secretária estadual
da Negritude Social Rio de Janeiro.

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Em 1947 o Partido da Esquerda Democrática transformou-se em Partido Socialista Brasileiro. Somente em 1986, com a redemocratização, o PSB voltou ao cenário nacional, quando realizou o primeiro encontro nacional do partido.

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