Após demissão de Sérgio Moro, PSB reage

Após demissão de Sérgio Moro, PSB reage

PSB na Câmara pede à PGR que Bolsonaro seja denunciado por crime de responsabilidade

Parlamentares do PSB classificaram como gravíssimas as afirmações do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro durante entrevista coletiva nesta sexta-feira (24) para anunciar sua saída do governo em razão da interferência de Jair Bolsonaro no comando da Polícia Federal.

Eles apresentaram requerimento para que Moro preste esclarecimentos no plenário da Câmara sobre as acusações feitas contra Bolsonaro. Outras iniciativas pedem a abertura de uma CPI e que a Procuradoria Geral da República denuncie o presidente ao Supremo Tribunal Federal por crime de responsabilidade.

Para os socialistas, Moro delatou vários crimes cometidos pelo presidente.  Entre eles, a de que Bolsonaro trocou o comando da Polícia Federal para ter o controle político da instituição com o objetivo de ingerir sobre investigações em andamento e ter acesso a informações sigilosas.

Na opinião do líder do PSB na Câmara, Alessandro Molon, “está claro” que Bolsonaro demitiu o chefe da Polícia Federal para frear as investigações que avançam sobre seus filhos, Flávio, Eduardo e Carlos. Para Molon, Moro sai do governo expondo graves interferências de Bolsonaro e relatando crimes de responsabilidade.

“Ele nunca quis acabar com a corrupção. Bolsonaro só trabalha em prol da família dele e da reeleição, criando crise atrás de crise. E o Brasil? Continua sem governo. Bolsonaro apoiou sua eleição em Moro e Guedes. Com eles, vendeu a ilusão de que combateria a corrupção e melhoraria a economia. Bolsonaro não consegue sequer manter seus aliados próximos no governo, imagine costurar saídas pra crise. Brasil sem direção”, disse Molon em suas redes sociais.

O deputado federal Danilo Cabral disse que deu entrada em um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para que as declarações do ex-ministro sejam apuradas.  “Também estamos provocando a Procuradoria Geral da República para que denuncie ao STF o presidente por crime de responsabilidade”, declarou.

O socialista afirma que Bolsonaro feriu os princípios constitucionais da legalidade e da impessoalidade e atacou o Estado Democrático de Direito. “Mentiu ao publicar um ato de demissão diretor-geral afirmando ter sido “a pedido”. Fatos graves que devem ser rigorosamente apurados pelo Congresso Nacional e pelo STF”, defendeu.

A deputada federal Lídice da Mata (BA) afirmou que a saída de Moro coincide com o “forte ataque” do vereador Carlos Bolsonaro ao trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) da Fake News nessa semana, assim como o pedido do deputado federal Eduardo Bolsonaro ao STF para que a  CPMI seja suspensa. “Eles tentaram criar uma cortina de fumaça em uma investigação que poderia chegar até eles”, disse Lídice.

“A sociedade tem o direito de saber por qual motivo o presidente interferiu no comando da PF, em desacordo com o ministro da Justiça. O silêncio do Planalto pode alimentar as especulações de que motivações não republicanas teriam provocado a exoneração de Maurício Valeixo”, escreveu no Twitter a senadora Leila Barros antes da coletiva de Moro.

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, disse que a instabilidade política em meio a pandemia do coronavírus fragiliza as instituições democráticas e mantém a angustia dos brasileiros. “O governo Bolsonaro perde seu maior selo de qualidade. A Sérgio Moro, obrigado pelo apoio ao Espírito Santo”.

O deputado federal Camilo Capiberibe (AP) afirmou que a saída de Moro representa o fim da ilusão de que o governo Bolsonaro representou qualquer combate à corrupção. Capiberibe disse que vai apresentar um requerimento para que Moro dê explicações no plenário da Câmara sobre as graves acusações que fez contra Bolsonaro.

“Moro se demitiu elogiando autonomia da Polícia Federal no governo do PT. Bolsonaro se livra de quem atrapalha seus planos de poder. Não é contra a corrupção. Continua sendo contra o Brasil”, afirmou Capiberibe.

Requerimento

O deputado Aliel Machado (PR) também apresentou um requerimento de abertura de CPI à Câmara. “É inaceitável que se legitime ações de obstrução do processo criminal em sentido estrito e em sentido amplo. É esse o relato do então ministro da Justiça”, diz Machado no pedido.

O deputado já está coletando digitalmente as assinaturas para protocolar o documento. São necessárias 171. “Já tenho deputados assinando”, disse o socialista.

Leia mais opiniões:

João Campos, deputado federal (PE)

Ainda que Sérgio Moro tenha uma atuação apagada à frente do MJ, sobretudo durante a pandemia da covid-19, é inegável seu peso político na formação do governo. Ao fustigá-lo, Bolsonaro dá prova de ter medo da própria sombra. Primeiro Mandeta. Agora, Moro. Guedes seria o próximo?
A irresponsabilidade e paranóia do presidente e seus filhos são uma fábrica de crises preocupantes para uma nação já combalida pela hecatombe sanitária, econômica e social que estamos passando.

Odorico Monteiro, ex-deputado federal (CE)

Os brasileiros precisam trabalhar 40 anos para se aposentar, mas família de ex-ministro tem direito à pensão? Conta-me mais sobre isso Sérgio Moro!

Julio Delgado, deputado federal (MG)

Demissão de Sérgio Moro; exoneração do diretor da Polícia Federal; aproximação com o Centrão; novo ministro da Saúde ainda meio perdido…o barco (Governo Bolsonaro) está afundando!”

Denis Bezerra, deputado federal (CE)

Moro expõe as reais intenções de Bolsonaro na questão da troca da PF. Intervenção direta nas investigações da polícia.

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Em 1947 o Partido da Esquerda Democrática transformou-se em Partido Socialista Brasileiro. Somente em 1986, com a redemocratização, o PSB voltou ao cenário nacional, quando realizou o primeiro encontro nacional do partido.

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