Dora Pires defende maior participação feminina nos espaços de poder e união de mulheres contra ataques à democracia

Dora Pires defende maior participação feminina nos espaços de poder e união de mulheres contra ataques à democracia

Diante do cenário de desrespeito aos direitos humanos, de massacre de indígenas, e de violência contra mulheres, negros e LGBTs em países como Chile, Colômbia, Bolívia, Equador e Nicarágua, é imperativo que os partidos de esquerda reafirmem seu ideário, se unam e dialoguem com o mundo para encontrar uma saída pela via progressista, defendeu neste sábado (1) a secretária nacional de Mulheres do PSB, Dora Pires, na abertura do IV Encontro Internacional de Mulheres Socialistas, no Rio de Janeiro.

O encontro reúne até a segunda-feira (2), mulheres socialistas de partidos de esquerda de dez países da América Latina e da Ibero-América, como Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, México, Paraguai, Peru e México.

Em seu discurso, Dora Pires fez duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro. Ela afirmou que, com a ascensão de um governo ultraliberal, o Brasil viu ser chancelado, pelo voto popular, um projeto de poder que aumenta a “feminização” da pobreza, estimula o incentivo à violência, ao racismo e à discriminação, colocando em risco a democracia.

“Persistir, lutar e resistir. Estes são os verbos que traduzem como tem sido para nós, mulheres e homens, enfrentar este ano de 2019. A cultura do ódio, do preconceito, da indiferença e de práticas teocráticas de subjugar a laicidade do Estado estão aterrorizando o Brasil”, criticou a socialista.

Durante a abertura, 14 mulheres receberam o prêmio Pagu por iniciativas que tomaram para valorizar e defender seus direitos. Criado em 2009, o prêmio reúne três categorias: desempenho e organização partidária; apoio e solidariedade; e políticas públicas.

Estiveram presentes o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, o diretor de organização da Fundação João Mangabeira, Fábio Maia, representando o presidente da entidade, Ricardo Coutinho, o deputado federal e presidente do PSB-RJ, Alessandro Molon, e o ex-governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg.

Foto: Humberto Pradera

O deputado federal Alessandro Molon (RJ) foi o único homem contemplado com o prêmio Pagu nesta edição, pela autoria da lei 13.880/2019, que proíbe agressores de mulheres a terem porte ou posse da arma de fogo.

O evento foi dedicado à memória da vereadora Marielle Franco e da irmã Dorothy Stang, “duas mulheres que lutaram para fazer do Brasil um país melhor, mais justo e igualitário”.

Dora criticou a desigualdade de gêneros, “a grande chaga de parte dos países”, e defendeu mais mulheres nos espaços políticos e de poder. “Sabemos que o desafio para 2020 é grande, mas juntas, nos apoiando, emprestaremos nossa força, garra e nome para travarmos a disputa eleitoral, a fim de aumentarmos nossa representação para construirmos uma sociedade menos machista e mais mulher”, defendeu.

A secretária nacional de Mulheres destacou ainda o trabalho de duas décadas das mulheres socialistas no enfrentamento “ao machismo, ao patriarcado e ao olhar míope da necessidade de igualdade de direitos entre homens e mulheres”.

“O desencanto com a democracia representativa não deve ser um desestímulo, pois criar um novo paradigma para a afirmação das mulheres tem que ser um ato contínuo até alcançarmos direitos e oportunidades iguais”, disse. “Lutar pela afirmação da igualdade é a afirmação da democracia. Temos que impedir retrocessos e manter sempre acesa a esperança”, disse.

Foto: Humberto Pradera

A socialista convidou os movimentos JSB Feminista, NSB Feminista, MPS Feminista, LBT’s, trabalhadoras sindicais, mulheres com deficiência e idosas do partido a se unirem e aprenderem mais durante o encontro para fortalecerem e empoderarem a luta das mulheres.

“Estamos juntas, de mãos dadas, atentas, vigilantes e apostos para o enfrentamento a toda e qualquer possibilidade de ataque à nossa democracia”, declarou.

Veja a lista de mulheres agraciadas com o Prêmio Pagu:

CATEGORIA DESEMPENHO E ORGANIZAÇÃO PARTIDÁRIA

– Creuza Pereira

Professora e membro do diretório nacional do PSB, Creuza Pereira foi eleita 3 vezes prefeita de Salgueiro (PE), tornando-se a primeira mulher a compor o Executivo de um município do sertão pernambucano. Voltou à prefeitura entre os anos de 2001 e 2008. Aos 79 anos, ingressou na Câmara Federal, em 2014.

– Thaísa Silva

Integrante Movimento Popular Socialista (MPS), secretária-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) e, também secretária de Mulheres da Federação dos trabalhadores na agricultura de Mato Grosso do Sul. Tem forte militância na área de defesa dos direitos da mulher, em especial a mulher do campo. É assistente social e bacharel em Direito. Atua na organização da Marcha das Margaridas e dos Grito dos excluídos.

CATEGORIA APOIO E SOLIDARIEDADE

-Débora Diniz

Antropóloga, professora universitária, ensaísta, e documentarista, desenvolve projetos de pesquisa sobre bioética, feminismo, direitos humanos e saúde. A defesa da descriminalização do aborto culminou com a saída de Debora do Brasil, após receber graves ameaças. Dentre seus trabalhos mais relevantes está a Pesquisa Nacional de Aborto — PNA, publicada em 2010.

– Márcia Rollemberg

Graduada em Serviço Social e Educação Artística, é ex-primeira dama do Distrito Federal. Como diretora executiva da FJM, desempenhou importante papel de apoio às ações e iniciativas desenvolvidas pela Secretaria Nacional de Mulheres.

– Margarida Vieira

Professora de história e cientista política, é autora da famosa obra “Semeando Socialismo”, que narra a história do PSB e a construção orgânica do partido rumo ao socialismo.

– Yara Gouvêa

Militante desde a década de 1960, lutou contra o regime militar brasileiro, foi presa e exilada na Europa. Hoje, atua como Assessora de Relações internacionais do PSB. Seus relatos e sua luta são uma memória viva de extrema importância para que os jovens de hoje não esqueçam do passado.

CATEGORIA POLÍTICAS PÚBLICAS

– Alessandro Molon

Deputado federal, advogado, professor de Direito da PUC-RJ e mestre em História. Molon é autor da lei 13.880/2019, que proíbe homens agressores de mulheres a terem porte ou posse da arma de fogo.

– Cida Ramos

Deputada estadual pela Paraíba e assistente social, Foi a parlamentar mais bem votada na história do Estado. É professora na Universidade Federal da Paraíba, onde também concluiu seu mestrado. Cursou doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 2011, foi convidada pelo então governador Ricardo Coutinho a assumir a Secretaria Estadual do Desenvolvimento Humano. Cida Ramos procurou sempre beneficiar os menos favorecidos, as mulheres e as pessoas com deficiência.

– Estela Bezerra

Começou a vida pública integrando os movimentos sociais, estudantis e de defesa dos direitos das mulheres. Hoje, é uma das deputadas mais atuantes da assembleia legislativa da Paraíba. A parlamentar foi eleita, por unanimidade, presidente da Comissão de Educação, Cultura e Desporto; integra, também, a Comissão de Direitos da Mulher.

– Fabíola Mansur

Deputada estadual pela Bahia, formada em medicina e especializada em oftalmologia, já foi vereadora e está em seu segundo mandato como deputada. Entre 2015 e 2016, foi presidente da Comissão dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa da Bahia. Entre 2017 e 2019, foi titular da Comissão dos Direitos da Mulher e, atualmente, é Membro da Comissão dos Direitos da Mulher e da Frente Parlamentar em Defesa da Criança e Adolescente.

– Gleide Ângelo

Deputada estadual mais votada da história de Pernambuco com 412.636 votos. A parlamentar também é delegada de polícia. Gleide Ângelo se destaca na defesa da vida da mulher e da família, esclarecendo casos polêmicos e de repercussão social, o que garantiu o reconhecimento do trabalho dela perante a sociedade e resultou nos milhares de votos recebidos.

– Jaqueline Moraes

De camelô a vice-governadora do Espírito Santo, Jaqueline Moraes é oriunda das fileiras da Secretaria Nacional de Mulheres do PSB/ES. Tornou-se a primeira governadora do Espírito Santo em 430 anos, ao assumir a chefia do Executivo durante uma semana. Durante o período eleitoral, lançou a campanha #NãoSejaLaranja, a fim de atrair outras mulheres para a política, mobilizando aquelas que, assim como ela, tivessem interesse e gosto pela política, sobretudo para lutar por outras mulheres. Enquanto governadora interina, assinou o decreto que criou o Observatório de Políticas Públicas para as Mulheres, com o intuito de subsidiar estudos, pesquisas e debates sobre o mercado de trabalho e a garantia da autonomia econômica das mulheres.

– Leila Barros

Tornou-se a primeira mulher a representar o DF no Senado Federal. A senadora vem propondo diversos projetos para defender a vida e os direitos da mulher e incentivar o esporte como eixo estruturante do bem-estar social. Leila Barros também se propôs a priorizar a educação como instrumento de transformação, a saúde com foco na prevenção, a gestão pública inovadora, transparente e efetiva.

– Martha Rocha

Primeira mulher na história a chefiar a Polícia Civil do Rio de Janeiro, e que integrou a primeira executiva nacional das Mulheres Socialistas, entre os anos 2003 e 2005. Na carreira policial e na política, Martha defendeu o direito das mulheres. Cursou especialização em Direitos Humanos na Universidade Cândido Mendes e fez Curso Superior de Polícia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Atualmente, é Deputada Estadual pelo PDT [Partido Democrático Trabalhista].

– Simone Santana

Deputada estadual de Pernambuco pelo segundo mandato. Presidiu a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Pernambuco nos biênios 2015-2016 e 2017-2018. Lançou a Comissão Itinerante da Mulher, que percorreu mais de 3 mil quilômetros para realizar audiências públicas em todo o Estado. Também idealizou a Ação Formativa Mulheres na Tribuna Adalgisa Cavalcanti, voltada para a inserção de lideranças femininas na política. A médica Simone Santana foi a primeira mulher a assumir a vice-presidência da Assembleia Legislativa de Pernambuco.

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Em 1947 o Partido da Esquerda Democrática transformou-se em Partido Socialista Brasileiro. Somente em 1986, com a redemocratização, o PSB voltou ao cenário nacional, quando realizou o primeiro encontro nacional do partido.

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