Marcha contra Temer e as reformas leva 150 mil a Brasília

Manifestação reuniu cerca de 150 mil

Cerca de 150 mil pessoas se manifestaram a favor da renúncia de Michel Temer e contra as reformas trabalhista e previdenciária, em Brasília.

Cerca de 150 mil pessoas de todo o país pediram a renúncia do presidente Michel Temer e criticaram as reformas trabalhista e previdenciária, nesta quarta-feira, 24, durante manifestação na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

O protesto intitulado Marcha das Centrais/Ocupa Brasília foi organizado pelas centrais sindicais e ganhou o apoio de movimentos sociais e partidos políticos que se opõem ao governo. O PSB garantiu apoio ao movimento, que contou com a participação de militantes e representantes de segmentos sociais do partido.

A Executiva Nacional do partido fechou questão contra as reformas e em apoio a PEC para a realização de eleições diretas. Diante das graves denúncias contra Temer, o partido também decidiu, por unanimidade, apoiar a renúncia do presidente da República e referendar a iniciativa do presidente nacional Carlos Siqueira, que subscreveu pedido de impeachment de Temer.

A mobilização tomou conta da capital do país desde as primeiras horas da manhã. Milhares de pessoas se concentraram inicialmente na área central da cidade e no começo da tarde se deslocaram em direção ao Congresso Nacional. A essa altura, já eram mais de uma centena de milhares de manifestantes, com bandeiras, faixas, enormes bonecos e balões.

Os carros de som entraram pela esplanada e estacionaram de frente para o Congresso, respeitando a área de isolamento estabelecida pela polícia. De cima dos caminhões se revezaram centenas de políticos, sindicalistas e líderes sociais em discursos críticos à permanência de Michel Temer no governo e às suas reformas liberalizantes.

Manifestantes com cartazes de "Fora Temer!". Foto: Humberto Pradera

Manifestantes com cartazes pedem “Fora Temer”.

O senador João Capiberibe (AP) representou o PSB no ato, acompanhado da senadora Lídice da Mata (BA) e da deputada Janete Capiberibe (AP). Ao final da tarde, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, informou que Temer decretou a “ação de garantia da lei e da ordem” na Esplanada dos Ministérios e, com isso, as Forças Armadas passarão a reforçar a segurança na região até o dia 31 deste mês. Em nota, o ministério informou que “serão 1,3 mil militares do Exército e 200 fuzileiros navais” atuando. Organizações não governamentais de direitos humanos criticaram a medida. Houve conflito entre grupos de manifestantes e a polícia.

Na avaliação de Joílson Cardoso, secretário nacional do Sindicalismo Socialista Brasileiro (SSB), a marcha superou as expectativas dos organizadores e a grande adesão representa a revolta dos trabalhadores com as graves denúncias de corrupção contra o governo Temer e as medidas que acabam com direitos fundamentais de trabalhadores e aposentados.

“Foi uma grande demonstração de força da classe trabalhadora que acende o pavio da revolta do povo brasileiro. Essa iniciativa de hoje desencadeia um processo que só terminará com a saída do presidente e a realização de eleições diretas”, afirmou Cardoso, durante o ato.

Da esq. p/ dir.: Representando o PSB, participaram do ato o vice-presidente da CTB, Vicente Selistre, o presidente do STMC,Tadeu Paranatinga, e o secretário nacional da SSB do partido, Joilson Cardoso. Foto: Humberto Pradera

Da esq. p/ dir.: Representando o PSB, participaram do ato o vice-presidente da CTB, Vicente Selistre, o presidente do STMC,Tadeu Paranatinga, e o secretário nacional da SSB do partido, Joílson Cardoso.

“Estamos chamando o povo para a rua, para assumir a responsabilidade que lhes compete. Essa é a visão do Partido Socialista Brasileiro e dos movimentos sociais: a solução para a crise é povo que dará”, defendeu.

Enquanto se realizava a marcha na esplanada, no plenário da Câmara dos Deputados, parlamentares governistas e de oposição travaram intenso debate – os primeiros tentando votar medidas provisórias de interesse do Planalto, os outros, entre eles vários socialistas, defendendo a suspensão da sessão por conta dos protestos. Deputados ocuparam a mesa diretora com cartazes com os dizeres “A Câmara deve ser aberta e transparente”. Ao final do dia, as bancadas que se opõem ao governo deixaram o plenário em sinal de protesto. E a sessão prosseguiu.

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), divulgou nota em que afirma que o seu governo  “tem primado por garantir o direito constitucional de livre manifestação”, orientação dada à Secretaria de Segurança. Na mensagem, divulgada em seu perfil no Facebook, Rollemberg disse que “a maioria dos manifestantes protesta de maneira pacífica e democrática na capital federal”, apenas “alguns grupos optaram pela violência como forma de protesto”.

Afirmou que “é dever do Estado garantir o direito à manifestação para que todos possam se expressar de forma respeitosa, sem colocar em risco a integridade das pessoas e do patrimônio público”. Ao final, expressou seu “total repúdio a todo tipo de violência”.

Assessoria de Comunicação/PSB Nacional

Fotos: Humberto Pradera

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Em 1947 o Partido da Esquerda Democrática transformou-se em Partido Socialista Brasileiro. Somente em 1986, com a redemocratização, o PSB voltou ao cenário nacional, quando realizou o primeiro encontro nacional do partido.

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